O leão e a vara curta.

Ao conversar com meu chefe, escuto uma conclusão muito reflexiva.

Se pensarmos nas grandes redes sociais (basicamente o orkut e facebook no brasil), elas procuram simular interações reais em um plano virtual.

Troca de mensagens, depoimentos, tudo isso na verdade é a virtualização de conversas normais, e no caso dos depoimentos, praticamente o que você fala para seus amigos quando está completamente chapado… Mas o que me intriga são as comunidades.

O irmão “real” das comunidades, seriam nossos grupos de amigos, que exatamente como as comunidades, geralmente variam de forma, tamanho, e objetivos… Existem grupos profissionais, existem grupos de interesses sociais, existem grupos de interesses filosóficos, e até grupos onde o interesse é pura e simplesmente, aumentar nossas chances de dormir em uma cama mais quente à noite… O cara X sai com o grupo A à noite porque quer comer a gostosinha, mas ao mesmo tempo pode fazer um churras com o grupo B porque a presença deles é agradável e indispensável, mas não deixa de ir aos encontros dos C pois aquilo o ajuda a entender os seus problemas. Afortunados são aqueles que arrumam companheiros que lhe acompanham e auxiliam em diferentes aspectos, inclusive, a parceira ideal em teoria seria a companheira que lhe auxilia e é auxiliada em todos esses aspectos pois uma das necessidades do ser humano é ajudar também, assim equilibrando a disputa de poderes exercida por todo e qualquer relacionamento social (voltarei a falar nisso em outro post).

Voltando ao mundo virtual, e obviamente excluindo as comunidades do tipo “Eu uso havaianas” pela total ausência de densidade, acho curioso a conclusão do meu chefe em um assunto que debatemos:

Criamos comunidades e participamos daquelas que trasmitem nossa identidade e também transgredimos nosso limiar individual ao adentrarmos espaços que nos afligem ou dão remorso na vida real em diferentes comunidades do orkut. Ou seja, também entramos em comunidades que no mundo real não adentraríamos, certo?

Seria então as redes sociais uma muleta, que com ela extendemos um pouco nossa concepção do eu e de nossa personalidade, pelo simples fato de sermos forçados a criar uma identidade virtual, que demanda cada vez mais características específicas a fim de destacarmo-nos da multidão? Só sentimos necessidade de nos definir, e definir nossa existência, porque assim diz no formulário? TU NAO TINHAS VONTADE ANTES MEU AMIGO?

…..

O leão depois do cárcere, só responde, só reage.

Assim disse Zartosht.

~ por garimponeural em setembro 10, 2008.

13 Respostas to “O leão e a vara curta.”

  1. bem colocado, boa reflexão a partir do parecer do teu chefe… mas, veja bem, também discordo, zaratustróvsky

  2. Que inflamação estéril Zarinha. Sua declaração não faz faz qualquer sentido.

  3. O ser humano está em contante mudança, talvez por isso essa natural e incessante necessidade de auto-definiçao…Essas redes só facilitam a aceitação social dessas mudanças, q no mundo real, onde atitudes refletem em td e todos ao nosso redor , nao seriam sempre aceitas.

  4. @Kiki – essa aceitação é necessária? Porque ela seria mais difícil de ser aceita no mundo real?

    @Led Manga – Interessante. Desenvolva. inclua um insight sobre isso em seu próximo post, se possível.

    Assim disse Zartosht.

  5. Zartosht – como vc mesmo disse em um de seus posts: “Sinta-se a extensão do corpo de alguem, veja os outros como a extensão de sua mente”…para isso, uma minima aceitação (social ou mesmmo uma auto-aceitação) consciente ou inconsciente, se torna necessaria.

  6. Concordo.

    E porque ela seria mais díficil de ser aceita no mundo real?

  7. Pensarei a respeito do post. Por hora, prefiro acreditar que comunidades no orkut tem tanto a ver com concepções de eu quanto uma marca de tênis. Você é Nike ou Rebook Zara?

  8. Porque como já disse, nossas atitudes têm reflexo mto maior no mundo real..onde um gesto ou um olhar de alguém proximo (q acredito terem mta força) podem fazer uma imensa diferença, causando em nossas mentes, no mínimo uma reflexão inconsciente de nossos (e alheios) atos e pensamentos, exatamente pq nos importamos com essas pessoas. Contato esse q não é totalnente possível no mundo virtual…

  9. Como disse Lipovetsky, pensador contemporâneo marxista que entra no mérito de niveis estéticos, ” a moda é a espinha dorsal do capitalismo ”… portanto tudo é discurso sobre voce mesmo. Tudo que voce veste, come, usa, e coloca no seu eprfil online, é um discurso seu, sobre voce mesmo.

    Por outro lado, a extensão cibernética do eu permite, ou pode permitir, tanto a liberetação da individualidade através da janela digital quanto pode significar um grande cárcere onde essa subjetividade só consegue se manifestar, por trás da tela.

    eu
    t
    Z O M B O

  10. O mundo virtual é o mundo que a gt cria para sermos o que sempre quisermos ser. Mas sera que existe de fato um mundo real? Desde pequeno nós vivemos em função de aparelhoes eletronicos, e criamos nossa personalidade em cima do que assistimos na
    televisão e o que vemos adultos fazendo.
    Gostaria de ler sobre esse assunto!!

  11. …E ASSIM FUNCIONA O SISTEMA PSIQUICO DA VIDA TRANSITORIA,VIVEMOS EM BUSCA DOS PRAZERES NESTE PLANO,NESTA DIMENSÃO,ESTIMULOS QUE NOS IMPULSIONAM AS EXPERIENCIAS,AS BUSCAS,QUE DEVE SER MAIS TATIL,REALISTA,FISICA DO QUE NA HIPOCRISIA DO QUE SE ESCONDE DEMAIS NO VIRTUALISMO,DEVE SE HAVER EQUILIBRIO,E NÃO DEVE-SE ESQUECER O LADO HUMANO…

  12. A virtualização da máscara torna-a mais fácil de ser posta, é fato.

    Mas torna-a mais aceitável?

    Assim disse Zartosht.

  13. nossa ta bombando aqui… meu nem vo comenta pq nao escrevo bem como vcs hahahahaha… mas ta muito bom site e falei q ia escreve sobre a dona carmelita e esqueci hahahaha

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